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Sábado, 5 de Janeiro de 2008
Contraste
                                      À beira do Tejo vejo
                                      uns miúdos que adivinham
                                      pobreza
                                      a banharem-se nus
                                      na desembocadura
                                      dum esgoto



Nus , libertos
Corpos pequenos
Dos meninos vivos pintados
da poeira da areia dos sobrados
Dos casebres
Dos buracos incertos.
Trementes
Encolhidos, enroscados
Acumuladores-coragem
Para romperem a friagem
Das águas do esgoto serenas.
Gaivotas a alisarem as penas
E em linha recta
Irrompendo
Como setas
Contra o espelho oleoso
Que absorve
O corpos hirtos
Quase silencioso.
Pardais barulhentos
Que se lavam
No lago
Dos excrementos.
Chamamentos inconscientes
Aos cegos-surdos assistentes
Dos homens
Do velho vestido achado.
Saltam, gritam, chapinham
Os petizes.
Tenho pena
Mas são felizes...
                                    



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